domingo, 3 de maio de 2009

Aurora Prisma

Aurora Prisma

Quando o sol começa a cair, parece que a escuridão que toma o céu, aos poucos, toma conta da minha alma. Vem batendo uma tristeza, uma solidão. Uma vontade de olhar pro outro lado da cama e ver um rosto sorrindo. Quanto tempo não vejo um rosto sorrindo... nem meu próprio rosto sorri, e espelhos, ultimamente, não são bem-vindos. Eles me mostram a realidade que não quero ver. Teto, branco. Cama, macia. Porta, fechada. No chão, os sapatos. Na parede, um desenho. Desenho que ele fez, tão impessoal, tão frio. Olhos distantes...
...
Gosto muito de observar o tom alaranjado do pôr-do-sol derramado no céu, que escurece gradualmente. Gosto de sentir a brisa e observar as primeiras estrelas surgirem. Sinto que cada uma delas sorri e pisca para mim. É um tanto piegas, eu sei, mas é meu jeito. Muitos de meus amigos e até ex-namoradas me acham grudento, meloso e até mesmo um tanto ¿afeminado¿. Afeminado por amar ao extremo e querer ser amado? Em meus relacionamentos fazer com que minha parceira seja a pessoa mais feliz do mundo é prioridade. Mas... parece que elas não gostam disso! Preferem ser rejeitadas, maltratadas do que a certeza do meu companheirismo.
...
E lá vou eu de novo pensar nele, e tudo é muito inevitável! Tudo que eu olho me faz pensar nele, talvez, não por ele, mas pela falta que eu sinto dele, quem sabe, nem a falta dele em si, mas falta de alguém... Falta de um braço quente pra aquecer esse meu braço que está latejando de frio. Preguiça de me levantar e pegar um cobertor, mas, logo já tenho que sair, nem compensa levantar. Melhor manter essa posição estática, olhando o chão. Ou seria os sapatos?
...
Ouvindo este CD faz com que me lembre dela... Essa música tocava em meu carro no primeiro encontro. A noite estava enluarada, algumas estrelas tímidas presenciavam aquele momento especial. Duas almas que haviam acabado de se conhecer, mas que de tão perfeitas fundiram-se imediatamente. Seria a mulher da minha vida, pensei. A mulher que me faria feliz para todo o sempre.
...
Sapatos que ele me deu, antes não tivesse dado. Certeza que não foi ele quem escolheu, afinal, por que quereria ele me calçar? Calçar-me e impedir-me de pisar nos espinhos que sempre tomam o caminho, calçar pra quê? Se foi ele quem atirou os espinhos? Caso pensado.
...
O ¿sempre¿....Todas as vezes ele, o sempre, foi o meu nunca. Lembro que... Ah... tudo são lembranças amarguradas...Dei-te meu coração, ofereci-lhe o mundo, vendi minha alma para não te perder, vivi por você e morreria pelo mesmo. Foram tantos sonhos a realizar. Tantos planos por fazer. Juras sem fim, promessas para todo o sempre... que terminou em nada!
...
Certeza que ele me usou. Aproveitou da ingênua menina dos cabelos negros e cara de anjinho. Pensando, ele me disse uma vez que me amava, uma vez. Como se isso compensasse os outros 547 dias que se passaram sem uma palavra de carinho. Tantos dias, que o que mais precisava era um ¿você está bonita¿.
...
Por que o nosso fim? Por que te amei sem limites quebrando as barreiras de minha força? Por te jurar lealdade eterna? Fidelidade e companheirismo? Agora estou aqui sem propósitos, sem saber o que fazer, dizer ou pensar. O que me resta? O nunca, o nada, a solidão e os estilhaços apodrecidos de meu coração.
...
Nem isso! Depois me dizem que sofro de baixa auto-estima, e como não sofrer? Preciso de carinho, de alguém... Alguém só pra dizer que acha, não sei... que acha meus olhos bonitos, ou até mesmo que gostou da cor das minhas unhas...nem isso. Ah! Oito horas, hora de levantar, arrumar o cabelo, e abrir a porta. Inferno! Odeio abrir a porta.
...
Fecho a janela e meus olhos. Espero que um dia, um toque me ressuscite. Quem sabe alguém a procura de um verdadeiro amor... Abro os olhos e vejo ao meu redor. Tudo está no mesmo lugar, nada mudou. Percebo que a cada dia que passa o mundo vai perdendo sua cor, e que meus sonhos estão envelhecendo. Sigo até a porta, olho para o relógio: já são oito horas. É hora de espairecer... É hora de tentar viver...
...
Ela se levanta da cama, e segue em direção a porta, não estava muito interessada em ir ao encontro dos amigos, mas pensava que poderia ser uma possibilidade de esquecer, ao menos por minutos, a torrente de lembranças que tomava seu quarto, e sua mente. Ele entrou no carro, decidido a deixar o passado para trás, bateu a porta e aumentou a velocidade, querendo chegar ao destino o mais rápido possível. Apesar de não conhecer metade das pessoas que estariam na festa, achava que seria uma distração ao menos.
Enquanto caminhava ela olhava as estrelas, pareciam até capazes de sorrir, o sorriso que ela havia esquecido, chegou, cumprimentou a todos e sentou-se em uma cadeira próxima a varanda, era melhor manter distância de tudo.
Ele chegou quieto, disse um ¿oi¿ a alguém sentou mais adiante, e parou próximo a porta. Parecia tudo muito parado, pessoas desconhecidas, ambiente novo, a idéia de mudança pouco a pouco era afastada, pensava que era melhor ter ficado em casa. Atraído pela idéia de se afastar de todos, foi em direção da varanda, com a idéia de ver as estrelas sorrirem mais uma vez.
- Oi.
- Oi.
O silêncio, e a timidez tomaram conta. Ela sentada, com as mãos apoiando a cabeça. Ele em pé, mãos no bolso, olhando para cima.
- Será que vai chover?
- Chover? Imagina! Não vê como as estrelas sorriem?
Ela olhou espantada. E achou estranho alguém ter notado que as estrelas, naquele momento, eram as únicas capazes de sorrir.
- É, parecem sorrir sim.
Ele resolveu olhá-la, não havia mostrado interesse em fitar a mulher que estava sentada, isolada de tudo e de todos. Moveu a cabeça, e expressou um leve sorriso.
- Gostei da cor do esmalte.
- Ah. Gosto de preto.
- É diferente.
Mais uma vez ela se espantou com a capacidade que o homem tinha de reparar nos pequenos detalhes, pensou em diversas coisas para comentar, inúmeras frases ilógicas passaram por sua cabeça, mas nenhuma acabava por sair. Ele olhava para todos os lados, sem saber direito o que fazer, ou comentar, a timidez sempre fora sua antiga companheira.
- Sempre vem aqui? Sair com esse pessoal?
- Sempre? Ultimamente o sempre tem sido nunca...
Inevitavelmente, ele soltou um leve riso, e a fitou.
- O que foi?
- Não. Nada. Só... nada. Engraçado.
- Ah. Sim.
- Sempre assim.
A conversa que gradualmente ia perdendo as amarras, é interrompida, três ou quatro amigos, interessados na brisa gelada da noite juntam-se ao casal. O assunto é interrompido. Ela entra, acompanhada por uma amiga. Ele permanece ali, bebendo algo com alguém. O pouco que resta da noite, passa rapidamente, e logo lá estava ela andando pela rua, olhando as estrelas e pensando em um certo sorriso. Ele espera alguns minutos, olha por toda a casa, não encontra o que procura, entra no carro. Pensa que as noites deveriam ser mais longas, e que as estrelas deveriam ser as mesmas que sorriam, naquela momento, para uma pessoa especial, que quem sabe, ele tornaria a ver.

2005

Vontade torpe de escrever
Sangrar meus erros
Colocar a mostra
Mostrar aqui
Mas
Nada de R de J e de O
Nada de nomes escondidos
Palavras escondidas em versos
Versos que um dia
Serão apagados
Esquecidos
Rezo
Correnteza
Que leve tudo
Me deixe as asas
As asas para voar e para olhar
Para sentir o mesmo toda vez
Toda a vez que tocar
Não você
Qualquer um!
Sentir LIBERDADE
Sentir VONTADE
E arriscar...
Palavras?
Deveriam ter sido ditas antes...
Agora, desditas...
Malditas!
Já não são...
Já foram..
Sem oportunidades
Agora...
Futuro!
Viver vou eu!
...
tu tu tu tu

2005

Desesperos em noites curtas

Malditos sentimentos que não devem ser sentidos
Ah se eu pudesse retirar de mim
Arrancar à força isso que me chama
Isso que me atrai
Tirar de dentro a vontade de te tocar
A vontade de ver teus olhos encontrarem os meus,
Por entre a multidão que nos cerca
Perseguir com os olhos cada parte de teu corpo
E desejar o proibido
Esconder-te dentro de mim
Para que ninguém veja o que sinto
Nem suspeite dos olhos que se encontram
E se desviam, e se desejam
Tu desejas?
Sentes a mim, como força estranha
Assim como te sinto
Química inexplicável
Por que aparecestes em minha vida?
Tirastes minhas certezas
E me destes tantas dúvidas
Tanta ansiedade
Tanto medo.
Oh, forças desconhecidas
Tirem de mim o sentimento proibido
Não permitam que cometa o pecado
Que erre novamente
Que traia meus escrúpulos
Oh, doce menino dos olhos profundos
Não me persigas, não me procures
Eu te procurarei em meus sonhos proibidos
Em meus dias de sentimento livre
Mas não nestes dias de noites curtas
Não hoje.

2005

Eu, Desdêmona e o crepúsculo.

E volto a parafrasear minhas antigas poesias
Volto a abrir as janelas
E deparar-me com as tais visões crepusculares
Que ora me torturaram
Hoje, me matam!
Talvez porque o proibido
Me corrompe
Eu, corrompida,
Prestes a render-me,
Fujo, e volto
E desejo...
Corpo, alma, som
Sol, lua, crepúsculo
Ambos
Ida e volta
Ir e não voltar
Corrompida
Interrompida
Desejo, des-e-jo, des-dém,
Desdêmona em prantos.

2004

Talvez este nem seja o nome correto para exprimir este sentimento, mas considero que esta é uma palavra que resume todas as outras: nostalgia, agradecimento, incapacidade, cultura e futuro.
Infelizmente, nesta nossa cultura ocidental só nos damos conta das coisas e as valorizamos depois que elas partem. E, este foi o segundo! Nosso segundo professor que faleceu... primeiro a empenhada professora de literatura - cancer-, agora, o engraçado professor de geografia -acidente de carro. Me pergunto, tantos outros que passaram na minha vida, por um 1 mês, 2 anos, 5 anos, 6? E tÊm-se notícia assim, um amigo que deixa mensagem no ICQ avisando, tudo tão frio e distante.
Aí, me lembro de cadeiras, carteiras, giz, lousa, gritos, bolinhas de papel, bicicletas para explicar a globalização, e parece tudo tão distante, ao mesmo tempo que tão vivo aqui dentro de mim. Como os anos passam! Lembro-me dos professores de primário, de colegial e até os de agora, de faculdade, e fico indagando se eu realmente dou à eles os valores que cada um merece.
Hoje voltou na minha cabeça uma das aulas de filosofia, quando o Tadeu disse que o maior prazer dele era dar aulas e poder contribuir nem que fosse um pouquinho para a nossa vida. E como ele contribuiu! Fez com que eu fosse mais "eu", não há dinheiro que compre aquela aula sobre 'Jonas' e o amor incondicional. Não há dinheiro que compre cada marquinha que cada professor deixou na minha personalidade, não só professores de escola, mas professora de vôlei, professor de violão, de canto, de pintura e de ballet (é mesmo! eu fiz ballet!) Foram tantos e tantas histórias para se contar e para lembrar, guardar e aprender, sempre e sempre!
Nem que seja aprender à nunca esquecer o quanto eu cresci, o quanto aprendi e o quanto ainda tenho a aprender. Queria dizer apenas, muito obrigada! Aos meus professores de escola, de colégio, de vida, por terem me ajudado a ser o que hoje sou! Muito obrigada!!!!!
E... até encontrei um versinho que estava no fim de uma das provas de história:
"Dois homens olham pela janela
Um vê a lama. O outro vÊ as estrelas!" (F. Langbridge)

Sentimentalismos

1. Sobre os sentimentos


Houve uma primeira premissa, o que são os sentimentos ? Sentimentos, vem da palavra sentir, então sentimentos seriam tudo o que sentimos?! Sentimos o vento, a água, um toque, então, o vento seria um sentimento humano? Talvez... o vento simboliza a liberdade, e a vontade de mudança, desta forma, a figura a qual o vento representa é um sentimento!
Ok, recapitulando... Amor é um sentimento, ódio é um sentimento, inveja é um sentimento, orgulho é um sentimento, preguiça é um sentimento e a figura do arrepio também é um sentimento....

Sentimento, s.m. - Estado afetivo agradável ou penoso, provocado por um estado de consciência; conjunto de emoções; opinião; pesar. (Antôn.: insensibilidade). Espanhol: sentimiento - Inglês: sentiment - Francês: sentiment - Alemão: gefühl - Italiano: sentimento.

Pois então o sentimento é nada mais que um estado de consciência, um momento afetivo: um estado momentâneo do caráter pessoal. Resumindo, sentimento: é momentâneo, é pessoal e individual, é característico e VITAL. E ponto. Passemos ao próximo capítulo...



É a partir de uma palavra, é a partir de um gesto, a partir de uma pessoa, um dia, um lugar, é a partir de um pequeno fragmento do mundo que podemos compreender a totalidade do que chamamos universo. É vivendo, é aprendendo, e amando que descobrimos os valores e a realidade do mundo em que vivemos. Por isso, começo a partir de hoje uma tarefa árdua e diferenciada, escreverei sobre os sentimentos, sobre este pequenino componente da alma e da mente dos homens, capaz de alterar ciclos de um universo inteiro ... Desta forma, escrevo por mim, sobre cada um dos sentimentos que sinto... o que sinto agora, o senti há dois minutos, o que gostaria de Ter sentido, ou ainda vou sentir, escrevo sobre cada sensação, sobre cada intenção, mas, primordialmente, sobre cada vivência e lição.
Tenham vocês as impressões que quiserem, tenham vocês a imagem que quiserem, afinal, me desculpem dizer-lhes meus amigos, ninguém é igual à você, e é exatamente por este motivo que não julgarei sentimento algum, se ele é bom ou ruim, certo ou errado, feio ou bonito, apenas falo por mim, falo por uma visão unilateral das coisas e então escrevo... escrevo e sinto. Talvez, mais sinto do que escrevo... de qualquer forma...
Vivo!

Vivian Guilherme Marques


Hey, acorda! O que foi? Acorda, já é dia! Dia? É, é dia, o sol nasceu, está tudo claro, acorda! Ah! Vamos, é dia! Mas...? Acorda, vem, acorda é dia! Eu sei é dia e daí?! Você não sente? O quê?! O dia! Tá, e daí?! Acorda, é dia, vem! Não! Vem...vem viver!!!
Abre os olhos, olha o céu, veja o sol que brilha, sinta a brisa suave, levanta daí sinta suas pernas, erga a cabeça, sorria, pense, coma, ria, odeie, ame, corra, viva! Vamos! É tão simples...tente! Tente! Eu sei que as coisas simples são as invisíveis mas, tente! Vamos, o tempo é curto, vamos!
Veja além dos muros vizinhos, veja além da estátua do jardim, além dos pedriscos no chão, tente ver além do café da manhã, do almoço, da janta, veja além do escovar os dentes, lavar a louça e colocar pé ante pé. Quebre a xícara, pise na poça, suje as mãos, chore!
Sorria por Ter certezas, e sorria pelas alegrias, sorria pela imensidão do universo, e pela imensidão de possibilidades, sorria apenas por poder sorrir, sorria por poder pensar, acordar, levantar para ir à escola, ver o sol, me escutar e tentar.
Sorria por viver! Por sentir estar vivo e por Ter motivos para levantar. Tem tanta gente para você conhecer, tanta coisa para se aprender, tanto para se fazer!
Vem! Vamos fazer com que cada dia valha a pena, para que cada hora seja uma recordação boa ou má, mas algo de que se lembre! Vem, você já está perdendo tempo! Está atrasado!
- Tá bom mãe, já to indo !!!


Puta!!! Aquela cachorra, vadia, morfética, ridícula, baixinha, gordinha, feiosa, absurda, cretina, pé no saco, filha da ....querida mãezinha dela....Que garota abusada!
Não vê?!
Ele é meu!
É meu...
Ele é meu ????? (?!)
...É...meu ?
...
..
.
E volta o velho mistério de quem pertence à quem, SE alguém pertence à alguém, talvez pertença ao mundo, ou não pertença à ninguém, ou pertença a seus pais, ou pertença a ele mesmo, ou pertença ao universo, ou pertença a sua liberdade, ou pertença aos sentimentos... ao amor... pertença ao que sinto por ele...Bah!
Mas também é subjetivo, aliás, tudo é subjetivo! E talvez ela não seja uma cachorra, talvez seja uma ¿cadela¿...e... Ah! Besteira! Tudo é besteira, não é?! Tudo é da minha cabeça mesmo, e se não fosse seria da onde? Louca!
Eu gosto, tu gostas (?), ELA gosta (!), nós gostamos, vós gostais (?), ELAS gostam. E quem disse que conjugar verbos é besteira? Se é besteira, e se tudo é besteira, o que não é besteira? Ah! A cachorra!!! Claro! A cachorra não é besteira... ela é ridícula, e perceba que são coisas diferentes!
E nem me venha com essa história de que sou ciumenta tudo bem? Porque é um absurdo! Onde já se viu! E nego mesmo! Nego até a morte! Não, não e não... NÃO tenho ciúmes! Afinal, como boa pecadora nego nego nego! E pronto! Eu só não gosto dela, isso! Não gosto daquele jeitinho de ¿quero ajudar¿, não gosto do jeito que ela anda, não gosto das músicas que ela ouve, não gosto das roupas que ela usa, e não gosto quando ela chega perto! É simples assim! Posso até dizer que tenho ¿fobia¿ à cadelas... ou cachorras?! E isso seria um problema médico.. está vendo?! Eu não sou louca, é apenas problema médico! É físico, não tenho culpa! E nego mesmo!
E até porque isso tudo tem a ver com auto-estima, e amor próprio e coisas psicológicas do tipo... Afinal, ¿a mãe é minha¿, ¿o quarto é meu¿, ¿a boneca é minha¿, não são coisas tão distantes.. E se for ver é normal! Errado, ruim e prejudicial, mas normal, convenhamos!
Está vendo, nem sou tão errada assim, e muito menos louca, sou até normal demais! E ciúmes todo mundo tem...e MATA ouviu? É Ter ciúmes mata, provocar ciúmes mata, e escrever sobre ciúmes mata mais ainda... chega! Fecho a portinha dos pensamentos obscuros, acendo a luz...


Sabe quando você quer só entender... porque as coisas são tão instáveis.. e tão inseguras e inapalpáveis que assustam às vezes, não sei se porque eu sempre fui muito pé no chão e muito acostumada com a mesmice e com as normalidades e... essa montanha-russa me estressa demais! E é algo que acho que não deveria ser... Eu me pergunto se as coisas devem ser da forma como têm sido, ou se eu posso mudá-las para melhor, apesar de ter medo de mudanças, sempre tive... e acho que sempre terei... mudar me assusta demais! E... sinto que não era para mudar, porque poxa.. está bom... mas, não está... tipo... tá ruim, mas tá bom... conformismo e medo de mudança talvez... É eu tenho medo de mudar sim... Medo de trocar as coisas do quarto e tudo parar de dar certo, tipo, colocar a cama em outro lugar, usar uma roupa antiga, mexer em algum bibelô da escrivaninha... medo de mudar o corte de cabelo, de pintar as unhas de cor diferente, de trocar os anéis...
Medo de trocar certos por incertos, dar passos e não conseguir mais voltar atrás (e essa frase teve intertextualidade sim....as minhas metáforas são mais claras viu?! Mas, sinto muito, esse texto não tem a ver com você... e muita coisa daqui de dentro não tem mais a ver com você.... sinto muito...digo.. sinto muito bem! Pois as coisas caminham, bem ou mal, mas caminham, e passado é passado fica para trás em frases entre parênteses, entre metáforas em blogs e entre intertextos...ponto). Talvez porque mudar implique tantas coisas, implique em ter que antes de tudo mudar a sua cabeça, e principalmente, mudar o coração, e... como é difícil mudar o nosso coração, ele é muito maior do que todas as coisas que nos cercam, acho que até maior que o mundo, e olha que o mundo é grande, hein?!
É... verdade... não só a mudança assusta, mas também tudo que é diferente... tudo que vai contra tudo ao que estamos acostumados... Se estamos acostumados a acordar todos os dias e tomar um copo de leite é estranho termos que acordar e tomar café... E isso não só assusta, como às vezes irrita e nos aborrece! Se estamos acostumados a lidar com um tipo de situação, com um tipo de pessoa, quando nos vemos a frente de uma situação nova e uma pessoa completamente oposta a nós, é difícil aceitarmos os novos parâmetros... Isso pode levar dias, semanas, meses... (Anos não vai! Pelo amor de deus... anos não né?! Tomara q não.. enfim...) Tempos... e isso basta... leva tempo... E... ai para a pessoa ou a situação não ser mais diferente, nós mudamos... Claro, que tem as fases de estresse, de raiva e lágrimas... mas acho que no fim dá tudo certo (Dá né?! Por favor, otimismo! E perceba que estou conversando comigo mesma! Ridículo, porém real!) Mudamos, e... mudou! E ai como já mudou, já vira mesmice e volta o medo de mudar de novo... um ciclo como tudo...e sabe... acho que isso tem a ver com o medo de se machucar... medo das coisas não darem certo! É... Todos tem medo de sofrer... e enquanto as coisas estão estáveis, elas estão certas... ao menos sabemos como será o dia de amanhã... e acaba em equilíbrio. Equilíbrio, segurança e confiança. De qualquer forma... medo!
Mudar... de novo?!!? Não.. por enquanto não... que continue assim... mesmo que... e que.... e que... ah! Como sempre espero a campainha soar e me tirar do palco, enquanto isso não ocorre continuo interpretando meus personagens nesse grande teatro chamado ¿vida¿.. vida cretina isso sim... Não, não.. texto cretino, isso sim! Mas um dia eu consigo... Se eu mudar quem sabe...


Às vezes acho besteira falar em amor
É tão complexo, ao mesmo tempo que
Sinto algo tão grande dentro de mim
Que avança barreiras do querer
É grande, intenso e forte
Me joga na parede e me arrebenta o peito
Então, amo
E, amo de peito aberto
Com emoções nas mãos e lágrimas nos olhos
Pés nas estrelas cabeça nas nuvens
Me entrego
E não resisto, tu és
E ser é muito mais do que qualquer outra coisa
Pois sou
Sou eu
Sou amor, sou paixão, sou vontade
Sou tua.

2004

Te espero e me desespero
Te quero e te venero
E protesto: odeio rimas!
Tem dos minutos vamos lá...
Espero, quero...clero?
Não!... quebro
Não deu...
Malditas rimas!
Ok, você venceu dicionário, volto aos versos brancos...

2004

1 - 3 - 5 - 7 - 9 - Devaneios de uma madrugada ...


As luzes do quarto ao lado se apagam, se acendem as do corredor. Levanto e fecho a porta. Pronto ficou lá fora. O sonzinho da água percorrendo o encanamento e o barulho do ventilador no quarto ao lado poderiam me irritar, mas me confortam... há pessoas na casa. O relógio marca 1:05, já é dia 14.. Mais um dia par, num ano par...Estranho... Os anos pares são sempre tranqüilos, tão tranqüilos que eu nem lembro deles! 2002? 2000? 1998? Sei lá... nada de memorável...Percebe-se que, se foi tranqüilo não tiveram problemas, se não tiveram problemas foram felizes... e por que diabos eu não me lembro deles? Eu lembro do 1º dia de faculdade de 2002, da Eliana, do meu aniversário também... em 2000... ixe... esse é mais difícil... eu me lembro do baile de Halloween e da Julia, de 98 tinha as competições das notas mais altas e o 1º cd do Hole...
Definitivamente, felicidade não combina com memorabilidade... Se não, o que explicaria os inesquecíveis e tumultuados 1999, 2001 e 2003?!?! Amigos novos, experiências novas, tristezas, pés na bunda, lugares novos e mudanças... OK, então memorabilidade rima com mudança, que por sua vez não rima com felicidade?! Tá, tá... o silêncio faz isso com as pessoas...Hunf...
Eu sei que eu poderia me levantar, ligar o rádio e colocar pela 5ª vez no dia "Come cover me", e dormir cantando "Venha me cobrir com você" pensando em alguém, mas... se eu dormir eu não penso... e se eu não penso... ué... não penso! E poderia tentar ser o silêncio, que não pensa, que não canta "Come cover me" e que não acha que os números pares são felizes...Acho que o silêncio acha que os números ímpares é que são felizes, e por que não também?! Meu uniforme no vôlei era nº9, eu nasci no dia 13, tenho 19 anos, e tenho 67 cds. Nada está perdido, afinal, se 7 é o número da perfeição, o que impede do 5 (2+0+0+3) ser perfeito também ?! E, é! Porque eu quero que seja, e o texto é meu e ele é o que eu quero que ele seja e pronto! Olha, e é tão perfeito que nem dá pra destacar dias memoráveis como eu fiz com os pares, tá vendo, porque todos os dias são memoráveis simplesmente! Os dias que eu chorei porque estava sozinha, e os dias que chorei porque tinha alguém, os dias que chorei porque tinha só a Luana pra conversar (e por carta), e os dias que chorei porque tinha tantos amigos que nem cabiam no meu quintal!
Pronto! Mais uma... os ímpares são dias se chuva lacrimal (?!) É! Isso! Assim não são perfeitos, nem felizes, são dias de lágrimas! Lágrimas felizes ou não, mas de lágrimas ué! E assim está bom!
Ah! São 1:29! 29 ! Miiii é 29 ! Lindo né?! É... mas desencana.... foi alterado para dia 19...é...porque é 5 (2+0+0+3) e mudanças ocorreram! É... agora eu tenho um mural, 5 fotos de uma mesma pessoa do lado da cama, tenho uma agenda lotada de tlefones, um diário completo até a metade, 4 cd¿s do Nightwish, uma coruja na escrivaninha e uma Veronika me olhando agora...e tudo bem, algumas coisas nunca mudam (5 posters do Silverchair)
E também...se tudo mudasse... eu não me reconheceria não é?! Então que fique assim... os números ímpares instáveis e meus números pares que nunca mudam... bah! Alma de poeta romântico... Tudo tem sua raiz...
- Apaga a luz pra mim Vanessa?
Acho que a madrugada me embriaga...

2004

semáforo

Por entre as vielas, lá vem ela! Correndo em meio a seus sonhos, fugindo da ilusão, lá vai...
Ela correndo de medo, correndo tão cedo que suas pequenas pernas não acompanham. É, lá vai... o rosto
sujo de tristezas, a roupa escura de passados negros e os olhos claros de um futuro sem ser... Lá vai...
A boca sisuda e os cabelos sujos tão sujos quanto o seu dia... tão sujo quanto a sua corrida... Lá vai!
Já foi... e você nem notou! Pois é...era apenas um ela assim... Só mais um ela no meio de tanta guerra,
de tantas lágrimas e tantos futuros sem ser... Tantos elas que você já viu e nem pediu, poderia ajudar.
Mas não, a cara é fraca a dor é tanta que fecho a janela, olho para a frente e ela já foi...
Mais um dia... outra passa.. e porquê não disfarça essa sua cara de criança... Criança mulher,
criança que chora e passa fome. Só mais uma criança... sem a intensa esperança de voltar a sonhar... Fecho os
olhos, tira de mim essa gana que não mais me engana. Esses olhos úmidos de piedade e inocência... Mas, não,
se não fecha, eu fecho... a janela, os olhos, a esperança...
Já foi...

2004

DA PAIXÃO NOSSA DE CADA DIA

Do quanto um dia ensolarado numa manhã de sábado, e um dia chuvoso quando se quer dormir,
do quanto um vento numa tarde muito quente, do quanto uma borboleta passa pela gente num dia que estamos tristes, ou com medo, ou indecisos...
Do quanto uma música que esperávamos muito ouvir toca na rádio, do quanto lemos uma frase num papel esquecido,
do quanto encontramos uma velha amiga na rua, do quanto um poema ou um livro, do quanto comprar algo que realmente queríamos,
do quanto receber uma carta de alguma amiga com boas notícias, do quanto sair com os amigos nem que
seja para um bar bilhar qualquer ou pra qualquer "Casa d'Irene", do quanto ler algo bobo no horóscopo do jornal,
assistir um filme de comédia romantica da locadora, do quanto dormir quando se tem vontade, e cantar qd se tem vontade,
do quanto tirar fotos pra nunca mais se esquecer dos momentos felizes e depois ficar horas olhando-as.
Do quanto um gesto, um sorriso, uma palavra, uma mão, um abraço, uma risada grande, uma piada, um beijo, um olhar,
uma "cosquinha", um telefonema pra falar "boa sorte" e um te adoro, e...
Do quanto todas essas coisas pequenas, ou não, fazem-nos sentir apaixonados. Do quanto os pequenos atos fazem-nos sentir
apaixonados pela vida e pela vontade de querer acordar mais cedo tds os dias pra não perder nenhum segundo desses momentos, no mínimo,
lindos!